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O
SOM QUE VEM DO NORTE
TRAJETÓRIA
Músico
amadurecido na barriga da mãe, nasceu num 29 de junho, dia de
festa, forró e seu santo de devoção, São Pedro. É tanta a
influência deste dia em sua vida que a parteira Zuza, responsável
pelo nascimento de todas as crianças de Ibiracatu ainda
hoje se lembra: "Ele só faltou dançar, pois seu
primeiro choro já era uma canção”.
De
Ibiracatu para Montes Claros, foi um pulo. Na
maior cidade da região teria mais oportunidade. Começou
tocando sanfona nos grêmios infantis ou onde houvesse uma
festinha: fossem os quintais ou as salas da Vila Brasília.
Dali veio a inspiração e o contato com seu primeiro
parceiro, Ildeu Braúna.
Começou
fazendo músicas para "tentar conquistar as
menininhas". E como as conquistas apareceram:
foram muitas as namoradas. As canções, às vezes, eram as
mesmas. Mudava-se apenas os nomes das garotas.
A
partir deste início, a parceria foi crescendo e novos
interesses pairavam sobre sua cabeça: os problemas sociais,
os conflitos, a ditadura vivida na pele. Tudo se refletia nas
músicas que já apareciam, aqui e acolá, em festivais.
Alguns modestos, como os da Escola Normal. Outros, mais
arrojados, como o Festival Universitário (Fucap) e Festival
Rímula.
O
GRUPO AGRESTE
Figura
mais carismática, atraiu outros parceiros e interesses,
surgindo assim o Grupo Agreste, banda de música
montes-clarense. E bastaram algumas apresentações nas
cidades do Norte de Minas para se consolidar a parceria
dos rapazes. O cantador Téo Azevedo, então um
veterano produtor em São Paulo, ouviu o grupo, gostou e
viabilizou uma gravação.
Era
o começo da década e 80 quando saiu o primeiro disco, pelo
selo Cristal, que estorou como uma bomba, não só na
região, mas em todo o Brasil. Carente deste tipo de música -
a regional inteligente - foram parar na novela da TV
Bandeirantes, "Rosa Baiana". As músicas eram
Zumbi e Jaíba, parceria de Pedro Boi com
o poeta Ildeu Braúna.
O
segundo disco do Grupo Agreste foi lançado em 1982 e
seguia o lado de obra prima do primeiro. Os sucessos, como a "Lenda
do Arco Íris" e "Quebra Milho" (gravada
depois pela dupla Pena Branca & Xavantinho, com
participação de Renato Teixeira) ainda hoje
repercutem nas reuniões informais e também nas formais,
quando alguém sempre apanha um violão e se põe a cantar. O Grupo
Agreste passou, como passou a Banda de Chico
Buarque. E tudo na vida passa...
ESTRADAS
E VIOLAS
Pedro
Boi
continuou músico, compositor dos bons e, como o violão em
punho, seguiu seu caminho compondo, agora não só com Braúna,
mas também com Manoelito (José Manoel), Guita,
Charles Boavista (ex-Grupo Raízes) e Téo Azevedo entre
outros, mostrando a arte norte-mineira, no que ela tem de
maior valor. As parcerias renderam três discos, sendo dois em
vinil e um CD.O primeiro disco, "Coração
Estradeiro", chegou no fim da década de 80. Nele,
uma mostra do caminho andado, dos amores passados, da vida
vivida. Um retorno ao seu estado mais puro. Muita pesquisa,
muita saudade. E o futuro para ser construído a partir dali.
Os
shows foram se sucedendo, outras melodias foram sendo criadas,
o segundo disco solo, em 1993. "Passarim", ainda
em vinil, mostrava não uma retomada, mas um alerta. Não
sobre ecologia, já em suas veias desde o início da caminhada
ainda na distante Ibiracatu, hoje transformada em
cidade progressista. Um disco sério, com um conteúdo para
intrigar e instigar quem ouve.
E
deste trabalho sério surgiram os olhos dos cantores
nacionais. Como Sérgio Reis, que gravou "Passarim
Cantadô". O mesmo aconteceu com Saulo Laranjeira.
Mas
o progresso vem e vai. O vinil passou. Agora, sozinho, mais
seguro de si, mais vivido, mais compositor e músico, com
todas as experiências passadas. E o novo disco, em CD, traz "Passarim"
com acréscimos e ainda contou com participações
especiais de Saulo Laranjeira, Grupo Vocal "Nós &
Voz" e Mariana Morena.
E que bons acréscimos, tão esperados. São músicas novas e
regravações dos discos anteriores. Para marcar este início,
pois Pedro Boi reinicia sempre, reinventa o inventado.
E cria. Agora, é parar e ouvir "Passarim", seguindo
o sábio conselho do velho mestre Zé Coco do Riachão: "Quem
qué aprendê vai e vai, que a temusia e a ceguêra de hum
home, quando qué uma coisa, as vêz, é bem maió que
ele."
Após
fazer show por praticamente todas as cidades norte-mineiras, Boi
partiu para a capital mineira, onde o trabalho de divulgação
foi seu principal objetivo. Ali cantou em diversos eventos e
formou a Banda do Boi Bonito, que é especialista em
apresentações de forró. "Mas o forró legítimo,
aquele de pé de serra", diz ele, influenciado
por Luiz Gonzaga e Dominguinhos.
Contatos:
Montes Claros:
Rua Coriolano Gonzaga, 239 - Bairro Major Prates
CEP: 39.403-215 - Montes Claros - MG
Telefone:
(0xx38)3214-1027
Belo
Horizonte:
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Conjunto Califórnia - Belo Horizonte - MG
Telefone: (0xx31)3469-3190
*Agradecimentos do Canta Minas ao cantor e compositor Pedro
Boi, pela cessão de material para a confecção desta página.
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