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A Música Mineira
Bilora
Carlos Farias
PEDRO BOI

O SOM QUE VEM DO NORTE

TRAJETÓRIA

Músico amadurecido na barriga da mãe, nasceu num 29 de junho, dia de festa, forró e seu santo de devoção, São Pedro. É tanta a influência deste dia em sua vida que a parteira Zuza, responsável pelo nascimento de todas as crianças de Ibiracatu ainda hoje se lembra: "Ele só faltou dançar, pois seu primeiro choro já era uma canção”.

De Ibiracatu para Montes Claros, foi um pulo. Na maior cidade da região teria mais oportunidade. Começou tocando sanfona nos grêmios infantis ou onde houvesse uma festinha: fossem os quintais ou as salas da Vila Brasília. Dali veio a inspiração e o contato com seu primeiro parceiro, Ildeu Braúna.

Começou fazendo músicas para "tentar conquistar as menininhas". E como as conquistas apareceram: foram muitas as namoradas. As canções, às vezes, eram as mesmas. Mudava-se apenas os nomes das garotas.

A partir deste início, a parceria foi crescendo e novos interesses pairavam sobre sua cabeça: os problemas sociais, os conflitos, a ditadura vivida na pele. Tudo se refletia nas músicas que já apareciam, aqui e acolá, em festivais. Alguns modestos, como os da Escola Normal. Outros, mais arrojados, como o Festival Universitário (Fucap) e Festival Rímula.

 

O GRUPO AGRESTE

Figura mais carismática, atraiu outros parceiros e interesses, surgindo assim o Grupo Agreste, banda de música montes-clarense. E bastaram algumas apresentações nas cidades do Norte de Minas para se consolidar a parceria dos rapazes. O cantador Téo Azevedo, então um veterano produtor em São Paulo, ouviu o grupo, gostou e viabilizou uma gravação.

Era o começo da década e 80 quando saiu o primeiro disco, pelo selo Cristal, que estorou como uma bomba, não só na região, mas em todo o Brasil. Carente deste tipo de música - a regional inteligente - foram parar na novela da TV Bandeirantes, "Rosa Baiana". As músicas eram Zumbi e Jaíba, parceria de Pedro Boi com o poeta Ildeu Braúna.   

O segundo disco do Grupo Agreste foi lançado em 1982 e seguia o lado de obra prima do primeiro. Os sucessos, como a "Lenda do Arco Íris" e "Quebra Milho" (gravada depois pela dupla Pena Branca & Xavantinho, com participação de Renato Teixeira) ainda hoje repercutem nas reuniões informais e também nas formais, quando alguém sempre apanha um violão e se põe a cantar. O Grupo Agreste passou, como passou a Banda de Chico Buarque. E tudo na vida passa...

ESTRADAS E VIOLAS

Pedro Boi continuou músico, compositor dos bons e, como o violão em punho, seguiu seu caminho compondo, agora não só com Braúna, mas também com Manoelito (José Manoel), Guita, Charles Boavista (ex-Grupo Raízes) e Téo Azevedo entre outros, mostrando a arte norte-mineira, no que ela tem de maior valor. As parcerias renderam três discos, sendo dois em vinil e um CD.O primeiro disco, "Coração Estradeiro", chegou no fim da década de 80. Nele, uma mostra do caminho andado, dos amores passados, da vida vivida. Um retorno ao seu estado mais puro. Muita pesquisa, muita saudade. E o futuro para ser construído a partir dali.

Os shows foram se sucedendo, outras melodias foram sendo criadas, o segundo disco solo, em 1993. "Passarim", ainda em vinil, mostrava não uma retomada, mas um alerta. Não sobre ecologia, já em suas veias desde o início da caminhada ainda na distante Ibiracatu, hoje transformada em cidade progressista. Um disco sério, com um conteúdo para intrigar e instigar quem ouve.

E deste trabalho sério surgiram os olhos dos cantores nacionais. Como Sérgio Reis, que gravou "Passarim Cantadô". O mesmo aconteceu com Saulo Laranjeira.

Mas o progresso vem e vai. O vinil passou. Agora, sozinho, mais seguro de si, mais vivido, mais compositor e músico, com todas as experiências passadas. E o novo disco, em CD, traz "Passarim" com acréscimos e ainda contou com participações especiais de Saulo Laranjeira, Grupo Vocal "Nós & Voz" e Mariana Morena.  E que bons acréscimos, tão esperados. São músicas novas e regravações dos discos anteriores. Para marcar este início, pois Pedro Boi reinicia sempre, reinventa o inventado. E cria. Agora, é parar e ouvir "Passarim", seguindo o sábio conselho do velho mestre Zé Coco do Riachão: "Quem qué aprendê vai e vai, que a temusia e a ceguêra de hum home, quando qué uma coisa, as vêz, é bem maió que ele."

Após fazer show por praticamente todas as cidades norte-mineiras, Boi partiu para a capital mineira, onde o trabalho de divulgação foi seu principal objetivo. Ali cantou em diversos eventos e formou a Banda do Boi Bonito, que é especialista em apresentações de forró. "Mas o forró legítimo, aquele de pé de serra", diz ele, influenciado por Luiz Gonzaga e Dominguinhos. 

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Agradecimentos do Canta Minas ao cantor e compositor Pedro Boi, pela cessão de material para a confecção desta página.  

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