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UM
POUCO DE SUA HISTÓRIA
Reveste-se
de grande significado cultural e histórico a feira livre que se realiza
no Mercado Municipal de Capelinha, aos sábados. Até meados da década de
70, Capelinha era uma pequenina cidade que mal ultrapassava a metade dos
morros do vale do Córrego Areão. O Censo do IBGE realizado em 1920
apontava para Capelinha 12.001 habitantes, dos quais 1.200 residiam na
cidade. Cinqüenta anos depois, o mesmo IBGE constatava para o município
em 1970 uma população de 19.646 habitantes, sendo que o número de
habitantes na cidade ainda era de apenas 4.432. O comércio era
incipiente, concentrando suas vendas a produtos não existentes
internamente como macarrão, açúcar, trigo, sal, biscoito industrial,
tecidos, latarias e ferragens. Os lares capelinhenses eram supridos com os
produtos básicos de alimentação (arroz, feijão, milho, legumes,
frutas, farinha, rapadura, etc.) sobretudo através da feira livre que se
realizava nos mercados municipais. No plural, sim, porque, não havendo
supermercados, o comércio de gêneros era disputado pelos proprietários
dos chamados "ranchos". Havia o "rancho do Piuzinho",
o "rancho do Tininho", o "rancho do Major Batista", o
"rancho do Bernardo" e o "rancho do Jacinto José".
Excetuando-se a atividade dos tropeiros, que exportavam produtos
agrícolas para Diamantina, Montes Claros, Araçuaí e Governador
Valadares, os negócios concentravam-se nos mercados, uma herança
cultural que Capelinha herdou ainda nas primeiras décadas do século XIX.
A
melhoria do transporte rodoviário, que dinamizou o sistema regional de
comércio, como também o surgimento de mercearias, supermercados e sacolões
fizeram com que a feira livre perdesse sua exclusividade na comercialização
de hortifrutigranjeiros. Pode-se observar, porém, que essa mesma e velha
feira livre não perdeu a sua tradição e mesmo um certo charme. No
Mercado Municipal, pode-se adquirir uma enorme variedade de produtos que
inclui, além dos gêneros triviais, artesanato em cerâmica, couro,
madeira e taquara, fumo de rolo, a boa cachaça, carnes, lingüiças,
roupas, frangos caipiras, porcos, rádios e brinquedos do Paraguai,
bijuterias e um sem número de artigos e objetos. Também lá estão os
bares e restaurantes populares, onde se pode provar a culinária local.
É
por tudo isso que acreditamos na possibilidade de não vir a se extinguir
num futuro próximo a tradição da feira livre que se realiza aos sábados
no Mercado Municipal de Capelinha.
(Texto
elaborado pelo professor e Historiador José Carlos Machado)
MANHÃS
BARULHENTAS
Até
os cinco anos de idade, nunca tinha ido a uma feira livre. Nem
sabia o que era isso. Quando fui, achei aquele lugar o máximo,
pois nunca tinha visto tantas pessoas reunidas num só lugar.
Adorei aquele barulho ensurdecedor e o intenso movimento.
E
as pessoas, é claro. E que tipos de pessoas a gente vê
naquele lugar! Homens e mulheres gordas como baleias, anões
de pouco mais de um metro, bêbados dançando como galinhas
tontas...
Meu
pai, que até hoje vai comigo, não ri de nada. Só entregou
os pontos quando viu um homem com uma barba de quase meio
metro de comprimento. O cara parecia o Bin Laden. Como eu, meu
pai riu muito, mas sem que o “Bin Laden” percebesse.
Passo
todas as manhãs de sábado ali! E como é bom ouvir os irmãos
ceguinhos cantando e tocando cavaquinho... Não me esqueço do
cheiro de pequi, do cheiro de panã e, nunca experimentando, não
me esqueço do cheiro da cachaça.
Ah!
E os gritos! “U fejão é só dô reá a midida”. “Isso
é um roubo, um real a dúzia de bananas.” "Quanto é a
medida de farinha?” “Óia o doci, tá barato, um reais.”
“Pia dona, cinco conto prum franguim desse!”
Não,
nunca me esquecerei desses gritos, cheiros e de todas aquelas
centenas de rostos que vi em várias manhãs de sábado em
Capelinha.
(Texto
elaborado por Douglas, aluno da E. E. Dr. Juscelino Barbosa - Capelinha)
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