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BUMBA-MEU-BOI EM CAPELINHA

UM POUCO DA HISTÓRIA DO BUMBA-MEU-BOI NO BRASIL

Mário de Andrade definiu o bumba-meu-boi como a "mais estranha, original e complexa de nossas danças dramáticas". Como dança dramática entende-se a forma genérica com que se designam os grandes bailados populares que se baseiam num assunto e têm, na sua maioria, partes faladas e representadas, contando uma ou várias histórias muitas vezes improvisadas.

Originário das últimas décadas do século XVIII, quando era representado por escravos e agregados de fazendas e engenhos, o bumba-meu-boi nasceu no litoral nordestino, irradiando-se depois para o interior do país levando esta mistura cultural dos brancos, através do enredo da festa, dos negros, que acrescentaram elementos rítmicos e dos índios, que emprestaram suas danças. O bumba-meu-boi traz consigo toda uma significação estética e social do Brasil e foi evoluindo no tempo, incorporando sempre novos elementos, mas mantendo o seu esquema básico em diversas regiões do Brasil, sobretudo no interior do Nordeste.

O dramatização tem como principal personagem o boi, que é representado por uma armação leve feita de vime, corda ou cipó coberta por um pano com uma cabeça de papelão ou osso, conduzida por um homem em seu interior. O bailado consiste numa sucessão de cenas, muitas vezes improvisadas, alusivas ao animal que é conduzido por dois vaqueiros, sendo ferido de morte por um deles, mas logo depois é ressuscitado. A morte do boi ocorre por causa do desejo de uma escrava de nome Catirina. Grávida e desejosa, revela ao marido e vaqueiro, o Nego Chico, que queria comer a língua do boi mais bonito do seu amo. Após muito relutar, Nego Chico é convencido por Catirina a arrancar a língua do boi que, não suportando o sacrifício, morre. Quando o amo descobre o ocorrido, chama o capataz e manda sindicar. Preso e trazido à presença do amo, ordena que o vaqueiro seja castigado com severas surras e caso este não der conta do boi, vai morrer. Em conseqüência, toda a fazenda é mobilizada para salvar o boi. Para ressuscitar o boi, chamam o doutor, cujos diagnósticos e receitas estapafúrdias ironizam a medicina e sem o efeito desejado. Finalmente, chega o pagé que, através da feitiçaria, consegue ressuscitar o boi. Ressurgido o boi e perdoado o negro, o drama termina numa grande festa cheia de alegria e animação, em que se confundem personagens e assistentes.

O espetáculo se desenrola numa arena, com o público em volta, numa roda que vai se abrindo e fechando em torno dos intérpretes. A representação é acompanhada por músicas tocadas por vários instrumentos e, às vezes, também por um coro de cantadeiras (única função que pode ser desempenhada pelas mulheres). Dos folguedos brasileiros, o Bumba-meu-boi é um dos mais conhecidos e populares. Nos diferentes estados onde ocorre, entre eles Maranhão, Amazonas e Piauí, recebe diversos nomes como Boi-Surubi, Boi-Bumbá, Boi-Zumbi. Em Santa Catarina recebe o nome de Boi-de-Mamão. Ainda leva o nome de Boi-de-Janeiro e Boi-da-Manta em outros regiões do Brasil, como é o caso de Minas Gerais.

O BUMBA-MEU-BOI DE CAPELINHA

Conforme está registrado na Casa da Cultura, o bumba-meu-boi de Capelinha foi trazido por um cearense chamado Antônio Luiz em 1981. A idéia foi levada à frente por Chico Ferreiro, com o apoio de João Barbeiro, que entrou com a charanga composta por cinco pessoas. Em 1989 o grupo chegou a contar com dez integrantes.

Segundo depoimento do senhor Chico Ferreiro dado a Tadeu Oliveira em julho de 1999, o bumba-meu-boi foi introduzido em Capelinha por volta de 1980, por um ex-policial advindo da cidade do Serro-MG, cujo nome era José Afonso. O militar convidou “Sô” Chico para ajudá-lo no bumba-meu-boi e logo em seguida foi-se embora. Chico Ferreiro manteve-se à frente do bumba-meu-boi até o seu falecimento, ocorrido no início do ano 2000. Atualmente, um outro Chico está no papel do vaqueiro: trata-se de José Francisco, conhecido como o Chico da Rita do Orlindo.

O bumba-meu-boi é um dos xodós culturais do atual secretário de cultura, meio ambiente e turismo, o Senhor Dante Guedes que vem desenvolvendo esforços para colocá-lo no seu devido lugar. A convite do secretário, Tadeu Oliveira vem colaborando no resgate das tradições do bumba-meu-boi através de pesquisas, principalmente no que se refere aos cânticos e indumentárias.

O bumba-meu-boi  representa hoje, o renascer cultural que começou a despontar nos últimos anos e se concretiza com as novas diretorias da Casa da Cultura e Grupo de Teatro de Capelinha, com total apoio da SECMATUR – Secretaria de Cultura, Meio Ambiente e Turismo de Capelinha. Assim como no passado e, ainda hoje,  em remotos lugares do país, onde carro de boi é único meio de transporte a manter a sobrevivência e interação entre comunidades, o bumba-meu-boi  simboliza a "ressurreição" da cultura popular, a transportar para as atuais gerações as tradições culturais do nosso país.

MÚSICAS DO BUMBA-MEU-BOI

Breve estaremos disponibilizando músicas cantadas no bailado do Bumba-Meu-Boi.  

 

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