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O POETA ANÍBAL FREIRE

DIAMANTINA - MG

MONTANHAS E ÁGUAS - "Versos verdes num livro vermelho"

A obra de Aníbal mostra que até os demônios interiores converteram-se ao budismo e só produzem redemoinhos poéticos, não maldades. Vida e obra do autor refletem uma personalidade diferencia, própria de quem se constrói num dia-a-dia de independência.

Mas é difícil separa a obra da pessoa do autor, quando a vida possibilitou a convivência. Nossa famílias foram vizinhas em Salinas, casa com casa, sendo nossos pais, Abdênago Lisboa e Darcy Freire, unidos por amizade e interesse pelas letras, cometendo versos e prosa em livros e jornais. Isto herdamos deles. Como estudava fora e era mais velho, não acompanhei o desenvolvimento intelectual do Aníbal. Em 1980, retornando do exílio, o Aníbal e eu nos encontramos e começamos a conversar. Eram muitas as interseções geográficas e pessoais. Mas, sobretudo, nos tornamos amigos pelas interseções na literatura, no meio ambiente, no comportamento libertário, na ética das atitudes cidadãs. Minha ação política é mais contundente e permanente, embora muito marcada por Gandhi e o cristianismo, que também têm a influência da Índia, enquanto o Aníbal é zen puro sangue.

Uma outra coincidência apareceu entre nós.  O Aníbal ficou amigo do Inimá de Paula quando viveu no mosteiro budista de Ouro Preto e o Inimá lá ia respirar bons ares. O mesmo Inimá que viveu na casa de meus pais no Rio de Janeiro, se tornando amigo deles, quando, para socorrer o orçamento domestico, eles a transformaram em pensão para alguns conhecidos. Minha mãe Iraci conta que o Inimá ajudava a tomar conta de mim e fez uns desenhos do bebê Apolo, infelizmente perdidos.

Quis também o destino que eu fosse autor da proposta do Projeto Manuelzão que encontra nas águas da bacia hidrográfica seu eixo metodológico e filosófico de ação. E mais uma vez encontrei o Aníbal, engenheiro da Copasa, poeta das águas, fazendo palestras para estudantes de medicina, meus alunos no Internato Rural.

A leitura dos poemas do Aníbal nos leva a refletir a vida. Obra e autor são pedra corada autentica do Vale do Jequitinhonha.

Apolo Heringer Lisboa
Coordenador do Projeto Manuelzão 

UMA CELEBRAÇÃO DA VIDA

O poeta Aníbal Oliveira Freire conhece bem as montanhas e as águas de Minas. Lembro-me de encontrá-lo em caminhadas no cume dos Morros de São Sebastião e São João, no Campo Grande de Ouro Preto.

Eram passos demorados, entre o Mosteiro Zen Pico dos Raios e as nascentes do Rio das Velhas, as ruínas do moinho de vento colonial e o vôo das escarpas da Cachoeira das Andorinhas, tendo ao fundo o Caraça, monumentalizando o horizonte.

Região em que paira a poesia da natureza, tão próxima das ladeiras de Ouro Preto, foi ali que ele cultivou a initimidade com o que é puro como água da fonte e ar de montanha quase nuvem. As lições do Mestre Tokuda são matéria poética, tanto quanto a pedra de Ouro Preto e a água rolando na grota (tripu-y, dizia o indígena que viveu ao pé da ita-curumim).

A poesia, para Aníbal, é declaração de amor à vida e compromisso ecológico. Ele celebra a água e a terra, desperta nossa consciência. Os desenhos de Inimá de Paula, últimos registros do grande artista, iluminam a palavra do poeta. Esses versos soam a música do vento da Serra de Ouro Preto, trazem ecos do Itambé diamantino e saciam a sede mineira de água viva.

Ângelo Oswaldo de Araújo Santos
Secretário de Cultura de Minas Gerais

ANÍBAL FREIRE

Aníbal Oliveira Freire, natural de Salinas-MG, nascido em 07/12/51, engenheiro sanitarista-ambiental da COPASA, desde 1975, monge zen budista, co-fundador dos Mosteiros Zen, Morro da Vargem, em Ibiraçu-ES e Picos dos Raios, em Ouro Preto-MG, atualmente reside em Diamantina-MG.

 INIMÁ DE PAULA

O artista plástico Inimá de Paula, dispensa apresentações. Mais conhecido pelo uso de cores quentes em suas pinturas, identificadas ao fauvismo, é difícil imaginar que, na tela, debaixo das cores luxuriantes que empregava, existisse um traço irretocável, feito com a espontaneidade de um artista de sumi-e (desenho gestual zen).

Com seu bonezinho indefectível, mas discreto como um duende na paisagem de seu atelier, o Prof. Inimá riscava um sol para acender esses esboços indormidos. Revelava a fotografia colorida: seu lado mais visível. Atendia o mercado, mas ocultava a poesia do preto e branco: seu lado mais zen. Seu grande talento e generosidade, não obstante, o fizeram um grande mestre na arte do desenho e da pintura, além de griffe, da marca ou da assinatura. Uma luz que nunca se extingue.

Para adquirir o livro "Montanhas e Águas" entre em contato através do e-mail: nascente@citel1.com.br  

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