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Há mais 15 anos , apresento um programa de rádio intitulado "Canta Minas", na rádio Aranãs FM, de Capelinha MG, com enfoque exclusivo para a música mineira em todas suas vertentes. Sempre fui apaixonado por música e, assim sendo, tomei a iniciativa de criar este blog com a finalidade de divagar um pouco sobre as minhas impressões durante os mais de 12 anos de programa. Além da música também sou apaixonado por História e Literatura. Aqui, publicarei crônicas, causos e outras divagações a respeito de tudo que tenho vivido nesse pedaço de chão que é o Vale do Jequitinhonha. E como não pode deixar de ser, também escrevo sobre a minha querida terra natal, Corinto, e outras vivências pelo mundo afora que me ajudaram a construir uma história de gente comum, sem heroísmos, no entanto carregada pelos "sinais de humanidade"!!! Abraços Gerais!!!

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domingo, 2 de dezembro de 2012

ENTRE VOZES E CANÇÕES


O cantor e compositor mineiro comemora o lançamento do CD do grupo Cobra Coral e fala de sua carreira ao lado dos músicos Chico Amaral, Marina Machado e Milton Nascimento

Ailton Magioli - EM Cultura

PERFIL FLÁVIO HENRIQUE: MÚSICO E PRODUTOR


O que mais incomoda Flávio Henrique em Belo Horizonte é saber que há coisas muito legais acontecendo na cidade, em termos de valor artístico, que não são conhecidas no Brasil porque estão restritas à capital mineira. “Se o Cobra Coral conseguir no eixo Rio - São Paulo o que fez aqui ... ”, tenta imaginar o cantor, compositor, instrumentista e produtor, cujo mais recente investimento é justamente o quarteto vocal que está lançando o primeiro disco.

“Acho que tem dado mais resultado porque é um trabalho despretensioso. Fazemos uma música menos intelectualizada, mais alegre e feliz, que, associada à nossa interação de palco, atinge a simplicidade”, aposta o integrante do quarteto, ao lado de Kadu Vianna, Pedro Morais e Mariana Nunes. Mineiro de Belo Horizonte, Flávio Henrique, depois de uma passagem pelo Retiro das Pedras (Nova Lima), voltou a morar no Santo Agostinho, onde viveu por mais de 30 anos. “É um bairro bem estratégico”, justifica o artista, de 44 anos, lembrando que a região está perto de tudo.

Graduado em comunicação social pela PUC Minas, o cantor e compositor é proprietário do estúdio Via Sonora, especializado em gravação de CDs, que atende também as agências de publicidade na produção de trilhas para TV, rádio e cinema. “São uma fonte de renda para manter o estúdio, já que o mercado de CDs hoje é sustentado com patrocínio”, constata Flávio Henrique, que se considera um jornalista frustrado. Com o advento das redes sociais, no entanto, ele tem suprido tal carência, graças à atração de cerca de 6,5 milseguidores no Facebook.

As duas principais influências na formação musical de Flávio foram a mãe, professora de música que chegou a dar aulas no Colégio Pandiá Calogeras, em que ele estudava, e o tio pianista, que pertencia à geração Clube da Bossa, do Minas Tênis Clube. Em 1994, já aluno da rede Pitágoras, matriculado na mesma turma de Robertinho Brant, Flávio passou a integrar o grupo Candeia, do qual quatro dos sete integrantes se profissionalizaram: Serginho Silva e André “Limão” Queiroz, além dos próprios Robertinho e Flávio Henrique. “Foi uma experiência tão forte na vida da gente...”, recorda.

Na noite

Desde então, Flávio Henrique passou a tocar na noite (teclados e guitarra), acompanhando cantores como Tadeu Franco, Ana Cristina e Sérgio Santos. “Nessa fase, o grande companheiro de bar foi Dado Prates”, acrescenta Flávio Henrique, cuja “virada” ocorreu em 1994, quando gravou o disco de estreia, Primeiras estórias, com as faixas Caçada da onça e Carro de boi inspiradas, respectivamente, nos contos “Meu tio Iauaretê” e “Conversa de bois”, ambos do livro Sagarana, de Guimarães Rosa. Lançado pela gravadora Velas, de Ivan Lins e Vítor Martins, o disco fez o jovem artista trocar o bar pelos estúdios, especializando-se na composição de canções para artistas como Paulinho Pedra Azul e Ana Cristina, entre outros.

Cinco anos depois, NeiMatogrosso batizaria o elogiado Olhos de farol, em que dava mais uma guinada na instigante carreira solo, com a canção de Flávio que, a essa altura, já chamava atenção de produtores como Ronaldo Bastos, por cujo selo, Dubas Música, Flávio Henrique gravaria disco ao lado de Marina Machado, em 1998. Atraindo para a sua música parceiros do porte de Paulo César Pinheiro, Murilo Antunes, Sérgio Santos e Ronaldo Bastos, paralelamente à carreira de autor Flávio exercita-se também no canto, que ele nunca abandonou. “Só agora, com o Cobra Coral, resolvi cantar no show e no disco o tempo inteiro”, assume.

Em boa companhia

Disco independente que na opinião de Flávio mudaria a história da música feita na capital, Baile das pulgas, de Marina Machado, foi produzido por ele em 1999, época em que inaugurava também a parceria com Chico Amaral. “O disco foi um divisor de águas de geração”, empolga-se o músico e produtor, lembrando que no mesmo período as leis de incentivo entravam no mercado cultural.

Em 2000, Flávio se classificaria em quarto lugar no Prêmio Visa de Música – categoria Compositor, concorrendo com 3,8 mil candidatos de todo o país. A cantora Marina Machado e o ainda quase amador Trio Amaranto seriam os companheiros de palco na performance, cujo prêmio em dinheiro resultaria no aclamado Aos olhos de Guignard, disco coletivo que Flávio fez ao lado de Marina e do Trio Amaranto.

“Foi o disco independente de maior tiragem (6 mil cópias) feito na cidade”, lembra. Gravada posteriormente por Marina Machado, Maurício Tizumba, A Quatro Vozes, Anthônio, Lúdica Música e Milton Nascimento (Pietá), além de um grupo brasileiro radicado no Japão, Casa aberta se tornaria o hit de Aos olhos de Guignard, cuja tiragem esgotada instiga uma nova edição que resultou também em aclamado show.

Já em 2002, Flávio Henrique gravou em parceria com Chico Amaral o disco Livramento, cujo repertório reúne músicas cantadas e instrumentais. Destaque para as participações de Milton Nascimento, na faixa Nossa Senhora do Livramento, que Flávio diz ser a que ele mais gosta de sua autoria, por lembrar Miles Davis, pelos vocalizes e a ausência de letra; e Ed Motta, com Hotel Maravilha, que seria posteriormente gravada por Marina Machado e Alda Rezende.

Na sequência ele faria mais dois discos – Sol a girar, de 2005, selecionado no projeto piloto do programa Natura MusicalMinas, e Pássaro pênsil, de 2008, com o qual voltaria a uma gravadora, dessa vez a carioca Biscoito Fino. No primeiro, como gosta de lembrar, já marcava presença o que viria a se tornar o quarteto Cobra Coral. À exceção de Juliana Perdigão, que não entrou para o grupo por um acidente de percurso, estavam lá Pedro Morais, Kadu Vianna e Mariana Nunes, os atuais
companheiros de Flávio Henrique. Em tempo: em meio a tanto trabalho, Flávio ainda gravaria o solo Zelig, deste ano, que ela classifica como um disco experimental de canções.

Arranjos

Durante a última apresentação da turnê de Pássaro pênsil, em Brasília, diante da ausência da banda, Flávio, Kadu e Mariana optaram por fazer um show de violão e vozes, quando aconteceu algo que o compositor classifica de surpreendente. “Os arranjos vocais começaram a aparecer com uma repercussão de grande impacto”, recorda o compositor, que percebeu, a partir de então, que a formação vocal daria pé. Além de cantores, a maioria dos integrantes do grupo são também compositores e instrumentistas.

Como ele já havia produzido disco de Pedro Morais, da mesma geração de Kadu e Mariana, resolveu convidá-lo para integrar o quarteto, cujo primeiro show ocorreria em junho de 2010, no Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte. “Desde então, foi uma batelada de convites para shows”, comemora, salientando o fato de o grupo nunca ter captado recursos para os projetos. “O Cobra Coral é autossuficiente. Trabalhamos com preços de mercado, o que é sempre melhor, porque nos dá autonomia para fazer o trabalho”.

Do lado esquerdo do peito

Se há uma pessoa que Flávio diz conhecer há muito é Milton Nascimento. “De tempos em tempos ele faz coisas boas. Bituca sempre respeitou o meu trabalho. Ajudou Marina Machado em uma época e, mais recentemente, fez dois convites para o Cobra Coral cantar ao lado dele. Trata-se de um amigo, uma pessoa muito generosa”, reconhece.

“Bituca é o cara que mais ajuda a gente em Minas Gerais. Desde a geração de Lô Borges ele dá a alçada. Ajuda a gente a levantar voo. Acho que ele deveria ser mais reconhecido por isso”, reivindica Flávio, para quem Milton é, sem dúvida, sua maior influência como compositor, além de Toninho Horta e Hermeto Pascoal, outras duas assumidas influências. Dos músicos estrangeiros, destaca Bill Evans (“o bom gosto para tocar piano, não há nada no mundo igual a ele”) e Chet Baker.

Discografia
» Primeiras estórias, 1994
» Flávio Henrique e Marina Machado, 1998
» Aos olhos de Guignard, comMarina Machado e Trio Amaranto, 2000
» Livramento, com Chico Amaral, 2002
» Sol a girar, 2005
» Pássaro pênsil, 2008
» Zelig, 2012
» Cobra Coral, 2012

Fonte: EM Cultura - Jornal Estado de Minas, 02/12/2012