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Há mais 15 anos , apresento um programa de rádio intitulado "Canta Minas", na rádio Aranãs FM, de Capelinha MG, com enfoque exclusivo para a música mineira em todas suas vertentes. Sempre fui apaixonado por música e, assim sendo, tomei a iniciativa de criar este blog com a finalidade de divagar um pouco sobre as minhas impressões durante os mais de 12 anos de programa. Além da música também sou apaixonado por História e Literatura. Aqui, publicarei crônicas, causos e outras divagações a respeito de tudo que tenho vivido nesse pedaço de chão que é o Vale do Jequitinhonha. E como não pode deixar de ser, também escrevo sobre a minha querida terra natal, Corinto, e outras vivências pelo mundo afora que me ajudaram a construir uma história de gente comum, sem heroísmos, no entanto carregada pelos "sinais de humanidade"!!! Abraços Gerais!!!

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

UM POUCO DA HISTÓRIA DO GALPÃO CULTURAL

"É notório que as edições do Galpão Cultural nos últimos anos tenha contribuído enormemente para o surgimento de novos valores musicais em Capelinha"

Por Tadeu Oliveira


Logo que cheguei a Capelinha, em 1997, sempre ouvira falar do Galpão Cultural. Portanto, conheço um pouco da sua história e das suas origens a partir do convívio, durante esses anos, com diversas pessoas que ajudaram na idealização, construção e reconstrução desse maravilhoso projeto que tenho orgulho de fazer parte.

Tudo teve início em janeiro de 1981, quando vários técnicos e assistentes do Programa MG II vieram trabalhar em Capelinha. Essas pessoas, que por zelo natural apresentavam-se bastante criativas e com muito gosto pelo fazer artístico-cultural, começaram a passar suas experiências para várias pessoas. Dentre elas, destacou-se Jane Simões, cuja residência convergia diversos jovens da cidade em busca de lazer e troca de idéias. Foi quando surgiu a possibilidade de se criar um grupo de teatro. 

A idéia lançada em terra fértil permitiu que, em 19 de janeiro de 1982, se criasse oficialmente o Grupo de Teatro de Capelinha, o G.T.C. No início, esses jovens se depararam com preconceitos por parte da comunidade que via o grupo com olhar pejorativo, comportamento bem próprio da sociedade da época que não cultivava, até então, o hábito de ir ao teatro. O G.T.C. apresentou várias peças teatrais e foi aplaudido em várias cidades de Minas. Daí para a concretização de sonhos mais ousados foi uma questão de tempo.

Em 1985, o G.T.C. fundou a Casa da Cultura de Capelinha e ambos começaram a valorizar as manifestações culturais da região (e ressiginificá-las), além de alertarem para questões importantes como a situação do menor abandonado, do idoso, o meio ambiente. Estas entidades juntas divulgaram de forma brilhante o nome de Capelinha para vários lugares do país, mantendo um caráter apartidário e respeitando as diferenças filosóficas e religiosas da comunidade.

Destaca-se no Movimento Cultural de Capelinha por esta época, nomes como Preta Vieira, Sônia Sampaio, Tico Neves,  Sandra Sampaio, Marlene Mendes, Quincas, Tininha Pereira, Deth Sampaio, Pitico, Dante Guedes, José Carlos Machado, Amauri dentre tantos outros. Vários deles se tornariam, posteriormente, dirigentes de instituições educacionais e culturais, tendo, inclsuive, atuações destacadas na política local.

Um dos pontos mais fortes do movimento cultural em Capelinha foram as SEMANAS DA CULTURA, organizadas pela Casa da Cultura e G.T.C., quando pessoas do Brasil inteiro ligadas às artes, apareciam por aqui. E é nesse contexto que surgiu o Galpão Cultural há exatos 20 anos, na Semana da Cultura de 1991. Naquele ano, na praça do Povo, bem ali no antigo Mercado Municipal onde funciona hoje a rodoviária, foi montado o primeiro Galpão Cultural. A Casa da Cultura de Capelinha, responsável pela organização do evento, permitiu ao povo de Capelinha conhecer ruas de lazer, oficinas vivas, exposições, teatro e shows em praça pública.


Dante Guedes, idealizador do 
Galpão Cultural
Provavelmente a ideia do Galpão tenha surgido da experiência de um dos integrantes da Casa da Cultura, Dante Guedes, que já havia desenvolvido o projeto Butecarte no Bar Onhas do Jequi, espaço alternativo e ponto de encontro dos amantes da cultura popular do Vale do Jequitinhonha em Belo Horizonte, nos meados dos anos de 1980. Guedes, com sua visão e empreendedorismo, idealizou o projeto do Galpão Cultural e nos primeiros anos ele esteve à frente junto com a Casa da Cultura e guarda em seu poder diversos registros dessa época em fotos e vídeos, que inclusive tive oportunidade de ter acesso.

Em 1993, novamente o Galpão Cultural acontece e pela primeira vez, dentro da VII Festa do Capelinhense Ausente, numa parceria da Casa da Cultura com a Prefeitura Municipal. A sua estrutura era feita de taipa e sapé, resgatando as técnicas construtivas da região, num espaço que abrangia mais de 500 m². E dentro dele podia-se apreciar as indústrias rudimentares do meio rural. Nesse mesmo ano, parte do projeto do Galpão é levado a Belo Horizonte, na 3ª Feira Internacional de Artesanato, alcançando enorme sucesso.

Mas é na IX Festa do Capelinhense Ausente, em 1995, que o Galpão Cultural se amplia e se torna um projeto mais ousado. Dante Guedes coloca dentro desse grande barracão uma roda de moinho dágua funcionando perfeitamente, artesãs executando todas as etapas da modelagem no barro até a sua queima em fornos montados dentro do recinto, artesãos esculpindo na madeira, benzedores, rezadeiras, bordadeiras, produtos da culinária regional além de apresentações com grupos folclóricos, grupos de dança e muita música.

O período compreendido entre 1990 e 1997 foi marcado pelo marasmo, desarticulação, fato comparado a um doente em estado de coma. Mesmo assim, neste período foram realizadas duas Semanas da Cultura (1990 e 1991). Segundo alguns integrantes da Casa da Cultura por essa época, ao realizarem a VII Semana da Cultura, em 1990, não houve um apoio efetivo do executivo municipal. A falta de apoio teve como consequência a total desarticulação das entidades que tiveram que guardar suas coisas e sair à procura de formas alternativas para manterem funcionando.

Se em 1995 a Prefeitura retoma o projeto ao convidar Dante para montá-lo, de 1996 a 2000 o Capelinhense Ausente não editou nenhuma versão por achá-lo demasiadamente caro.

A partir de 1998, a vontade de reestruturar as entidades voltou à tona e nova diretoria foi eleita. Fui eleito o novo diretor-presidente da Casa da Cultura e do Grupo de Teatro tendo Jocélio Campos como vice-diretor, Sônia Sampaio como tesoureira e Preta Vieira como diretora cultural. Mantendo-se apenas com o apoio da ACIAC (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Capelinha) e do SIND-UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação, sub-sede de Capelinha), a Casa da Cultura cumpriu com o seu papel de retornar com as atividades culturais: realizou-se um show com o violeiro Chico Lobo no hotel Catuaí, em abril de 1999; apresentou-se a peça teatral “Pluft, o fantasminha”, de Maria Clara Machado, com o G.T.C., em setembro de 1999; promoveu-se a vinda da escritora corintiana Antônia Rosa para comemorar a semana da criança e realizou-se a peça teatral “Brasil Raízes”, em 2000. Isso traz novas pessoa para compor a Casa da Cultura e o grupo de teatro, a sua maioria jovens estudantes. E é a partir de 2000, que a Prefeitura Municipal volta a arcar com o aluguel da entidade e a diretoria é novamente renovada.

No ano de 2001, um acontecimento torna-se importantíssimo para a volta do Galpão Cultural. Dante Guedes tornou-se o secretário municipal de Cultura e Jairo Martins havia sido eleito, no ano anterior, o novo diretor-presidente da Casa da Cultura que, mantendo o seu projeto de se transformar um pólo agregador dos fazedores de cultura da cidade, torna-se porta voz dos mesmos junto à Secretaria de Cultura, Meio Ambiente e Turismo de Capelinha – SECMATUR.

E assim, em setembro de 2001, a Secretaria Municipal de Cultura e a Casa da Cultura promovem o 1º Encontro de Cultura de Capelinha. Para aqui se aportaram grupos de teatros, corais, artesãos de diversas cidades do Vale do Jequitinhonha. Artistas como Chico Lobo, Carlos Farias e Saldanha Rolim foram convidados a se apresentarem. O evento não obteve o sucesso de público desejado, mas a presença de remanescentes dos índios Aranãs, cuja existência no passado ajudou a construir o mito de fundação da cidade de Capelinha, contribuiu para dar visibilidade aos acontecimentos culturais e preparar o terreno para as acões futuras. (No próximo mês, publicarei uma matéria relembrando este acontecimento que completará 10 anos).

Geraldo Art, da cidade de Turmalina, esculpindo na madeira
Galpão 2004
De qualquer forma, esse evento permitiu a congregação de diversos fazedores de cultura e se tornou o embrião para o retorno do Galpão Cultural, que ocorreu a partir da 17ª Festa do Capelinhense Ausente, em 2002, sob a direção de Dante Guedes. O Galpão já não seria mais como antigamente, uma choupana de taipe e sapé, passando a utilizar o galpão coberto da Praça de Esportes (mesmo local de hoje), anexo ao Parque de Exposições onde se realiza a festa do Capelinhense Ausente, no entanto buscou-se repetir os mesmos moldes dos anteriores com muitas oficinas vivas, culinária e música.

No ano seguinte, ocorre nova edição do Galpão Cultural, repetindo os moldes de 2002, também sob a coordenação de Dante Guedes.

Preta Vieira, responsável por várias
edições do Galpão na última década
A partir de 2004, tendo Preta Vieira como nova Secretária Municipal de Cultura, o Galpão passou por algumas modificações e eu passei a ter um maior espaço na sua organização, principalmente no que diz respeito à programação musical e na indicação de artistas para se apresentarem. Assim, nomes com Pedro Morais, Mark Gladston e Walter Dias (todos indicados por mim) foram contratados para abrir o primeiro dia do Galpão. É a partir daí que se tornou comum trazer um artista ou grupo de maior expressão para abrir os shows do Galpão. Assim, vieram Boneco Pano, Nem Secos e, em 2011, a Banda Odilara.


Pedro Morais no Galpão 2004


Tadeu com as feras Frank Arlem, Mark Gladston e Nenka
Fiquei no comando do palco do Galpão de 2004 a 2006 (fiquei afastado de 2007 a 2009 por estar cursando faculdade e retornei a partir de 2010), período em que o Galpão buscou se consolidar como um espaço democrático e alternativo ao criarmos o “palco livre”. O palco livre era um espaço aberto após os shows para quem quisesse cantar. Para tanto, o candidato deveria se inscrever comigo para cantar uma música. Caso agradasse a plateia, cantava-se uma ou mais, até que surgisse um outro inscrito. Foi assim que surgiram algumas gratas revelações da música capelinhense como Johnny, exímio guitarrista canhoto e tímido. O palco livre permitiu também que diversas pessoas das cidades vizinhas e até mesmo de lugares distantes pudessem ter vez e voz. Essa modalidade permaneceu com Toninho Iglésias, que comandou com brilho o Galpão, nas edições de 2007 a 2009. A partir de 2010, com a minha volta, o palco livre foi saindo de cena devido a diversos fatores, um dos quais é a falta de cuidado com o instrumento que é colocado à disposição dos participantes.

Todas as administrações municipais do primeiro decênio do século XXI apoiaram o projeto do Galpão Cultural e não tem sido diferente com a atual administração, que tem nas pessoas de Conceição Vieira, Luiz Gustavo Vieira (Sec. Mun. de Assistência Social) e Elisângela Alcântara, conhecida como Branca (Sec. Mun. de Cultura e Turismo) o sustentáculo para a realização das últimas edições.

Marcela Viana e César Loredo

Jefferson Rayneres e Maria Letícia, herdeiros do
talento musical das famílias Cordeiro e Batista

É notório que as edições do Galpão Cultural nos últimos anos tenha contribuído enormemente para o surgimento de novos músicos em Capelinha. A cada ano que passa, percebe-se que a performance dos mesmos estão cada vez melhores. Se no passado Capelinha se notabilizou como um lugar de grande expressão teatral no cenário cultural do Vale do Jequitinhonha, hoje podemos afirmar que os músicos daqui não ficam devendo a nenhum músico de outros lugares com maior expressão musical.


Johnny e Emerson Cordeiro

Banda Akasus, músicos de alta qualidade

Um fator importante no Galpão Cultural é a diversidade de ritmos e de grupos que passam pelo palco. Samba, MPB, reggae, seresta, música caipira, regional, música alternativa, rock, pop, banda de música, canto coral, tudo se integra e se harmoniza.

Juvenal Cordeiro, da velha guarda musical de
Capelinha, também marca presença no Galpão


Pintura de Marcos Art 7: os cegos da feira,
Joaquim e Luzia Galpão Cultural 2010
Outro ponto forte do Galpão é a sua decoração carregada de elementos da cultura popular da região, passando pelo artesanato e a culinária. Nos últimos anos, o artista plástico Marcus Art 7 tem feito belíssimas pinturas que retratam temas da vida cultural de Capelinha. Em 2010, por exemplo, o tema foi a Feira Livre de Capelinha, “Nossa feira, nossa paixão”, cujas pinturas retratavam cenas da feira e os personagens que nela circulam. O sucesso foi tamanho que diversas pessoas foram ao Galpão Cultural simplesmente para ver a pintura do casal de cegos cantadores, os irmãos Joaquim e Luzia, personagens imprescindíveis da feira de Capelinha.

Tudo isso transformou o Galpão Cultural num dos maiores atrativos da Festa do Capelinhense Ausente, pois é uma das poucas festas regionais que une entretenimento com cultura.

Fontes: Casa da Cultura de Capelinha

Comentário: Este texto não pretende, de forma alguma, ser um documento fiel sobre a história do Galpão Cultural, não tendo nenhum cunho acadêmico. Ao contrário, ele é apenas uma reunião de memórias minhas que se entrecruzam com as de outras pessoas, basaedas nas minhas experiências pessoais quando dirigi a Casa da Cultura e é fruto também da minha convivência com diversas pessoas entre as quais cito Dante Guedes, Sônia Sampaio, Preta Vieira e Fátima Neves. Portanto, nele pode haver dados imprecisos ou incompletos. Assim sendo, deixo livre para que os leitores possam comentar, acrescentar, retirar ou discordar. Basta que entre em contato comigo para que eu possa fazer as devidas correções ou os devidos acréscimos. Sei que diversas pessoas contribuíram significativamente para que o Galpão se tornasse uma realidade, pessoas às quais eu não tenho conhecimento por não ter morado aqui por ocasião do início do Movimento Cultural de Capelinha, da fundação do Grupo de Teatro e da Casa de Cultura. A essas pessoas eu peço desculpas e, num momento oportuno, darei o destaque que elas merecem.

2 comentários:

  1. Jefferson Rayneres,

    Obrigado pela visita ao blog e pelas obsservações que fez sobre o texto. Fiz as modificações que vc observou e continuo aberto para qualquer outro comentário ou modificação. Como disse no meu comentário, esse texto não tem nenhum cunho acadêmico, ao contrário, são apenas reuniões de memórias minhas com de outras pessoas. E a sua contribuição neste sentido, foi fundamental.

    Abraços Gerais!!!
    Inté, uai!!!

    Tadeu Oliveira

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  2. Tadeu,
    "Há amigos que são mais afeiçoados que irmãos"

    Serás sempre meu amigo, onde estiveres, onde quer que eu esteja....

    Seu blog tá lindo...primoroso....parabéns!
    Felicidades mil....carinho sempre!
    Sua amiga, Eloá.

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